Quarta-feira de noite, deitado na cama do albergue, digitando. Não estou muito inspirado para digitar, mas tudo bem.
No domingo, dia 16, saí de Berdyansk e peguei um ônibus para Odessa. Odessa é uma cidade no sudoeste da Ucrânia, no litoral do mar negro. Foi o melhor ônibus que peguei aqui na Ucrânia, mas não tinha mais lugares, e tive que ir sentado em um banco de plástico que não tinha nem encosto pras costas. Mas tudo bem, foram apenas 10 horas de viagem, da meia noite até 10 da manhã, nessa desagradável cadeira. De manhã cedo, a situação mudou. Quando eu e Yining chegamos na estação de ônibus, lá estava Vova nos esperando. Ele nos levou de carro até a casa dele, e a mesa já estava posta para um café da manhã. Depois disso, dormimos um pouco para recuperar da viagem, e fomos conhecer a cidade. Passamos na estação de trem e já compramos os bilhetes que precisaríamos, para Lviv e Kiev. A estação de trem de Odessa é muito bonita, e moderna. Aliás, Odessa é muito bonita. As construções na cidade tem estilo europeu, principalmente francês, e o trânsito é louco, parece que é sempre horário de pico. Andamos pela cidade, sem saber aonde ir, mesmo assim foi interessante, praças e lugares bonitos. De noite, a namorada de Vova preparou uma janta para a gente. Gostinho de comida caseira, muito bom. No dia seguinte, terça 18, Vova nos levou para mostrar a cidade e conhecermos os pontos turísticos. Dia 19 fomos para um museu, cheio de estátuas de cera, muito bem feitas, e depois pegamos nossas malas e fomos para a estação de trem, rumo à Lviv. Lviv é uma cidade no oeste da Ucrânia. Chegamos lá na manhã seguinte, dia 20, e fomos recebidos na estação de trem pro Palina. Palina é estudante de Artes, e trabalha na reparação de peças artísticas, como quadros. Depois de deixarmos nossas malas na casa dela, fomos conhecer o lugar onde ela trabalha, e a cidade, obviamente. Lviv é uma cidade maravilhosa. É uma cidade histórica, cheia de construções em uma mistura de vários estilos europeus, muitas igrejas bonitas e, principalmente, MUITOS cafés, bares e
restaurantes. É também uma cidade produtora de cerveja, o que significa que tive que provar muitas cervejas diferentes. Perdi a conta de quantos cafés e restaurantes diferentes a gente foi, todos muito bons. Visitamos também uma porção de museus e igrejas. Fomos para um restaurante em estilo militar, um dos melhores. Para entrar no restaurante, tivemos que dizer o "código" "Slava Ukraine", que significa "glória à Ucrânia". Fomos para uma fábrica de chocolates, deliciosos e também caros, mas deliciosos. Nos encontramos com alguns amigos de Palina em um restaurante, e também com mais 2 pessoas que conhecemos pelo Couchsurfing, todos muito legais. No sábado, dia 22, participamos de uma celebração ucraniana. Desde que a Ucrânia foi unificada (era dividida em leste e oeste há uns 100 anos), as pessoas celebram fazendo uma linha e segurando as mãos. Participamos como se fôssemos legítimos ucranianos. Depois da celebração, fomos assistir um concerto, com muitas músicas tradicionais ucranianas. Espetacular. No domingo, fomos para o museu da cerveja da cidade, e claro, com degustação, e após isso a um mercado de souvenirs e assistir a uma peça de Ballet na 'Ópera House'. Segunda-feira, dia 24, meu aniversário, pegamos um trem cedo para uma cidade próxima de Lviv, uma cidade que parece ser suíça, tanto pelas casas quanto pelas montanhas com pinheiros cobertos de neve. Quando saímos de Lviv estava em uma temperatura boa, -6°C. Chegamos lá, alugamos as coisas e pegamos um táxi até a montanha. Na base da montanha estava -9°C. Pagamos, e pegamos o teleférico até o topo da montanha. No topo da montanha não tinha termômetro, mas estava muito mais frio. E, finalmente, SNOWBOARD! Uma maneira muito inusitada e maravilhosa de celebrar o aniversário. Snowboarding é muito legal, pega velocidade muito fácil, mas é difícil de controlar. Depois do Snowboard, pegamos um trem de volta pra Lviv. No outro dia, organizamos nossas coisas e então cada um tomou seu rumo. Eu peguei um trem pra Kiev, e Yining foi para outra cidade.
Cheguei hoje, dia 26, em Kiev, e fui recebido por Vova (outro Vova, da AIESEC local), que me guiou até o albergue e mostrou a cidade. De noite, conheci alguns intercambistas que estão aqui em Kiev, 2 brasileiras e 1 outro da Moldávia, e saímos para jantar. Após a janta voltei para o albergue, o mesmo que fiquei na primeira noite aqui na Ucrânia. O legal do albergue é o número de pessoas de países diferentes que se encontra. Conheci um japonês, jogador de futebol, que morou por alguns anos no Brasil, e pude conversar com ele em português. Muito legal.
Amanhã, ainda não sei o que farei direito. Mas vou dar umas voltas pela cidade. E na sexta-feira, vou encontrar Gustavo para um último almoço aqui na Ucrânia, e depois pego um táxi para o aeroporto, e enfim um avião para a Alemanha, e depois para Guarulhos, e finalmente Florianópolis, chegando lá no sábado, 29 às 5 da tarde.
E essa foi minha experiência aqui na Ucrânia. Simplesmente inesquecível e incrível. Amei.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Bye bye Berdyansk
Domingo, meio chuvoso, frio, clima de despedida. Uhuuul!
Hoje à noite estou saindo de Berdyansk. Eu e Yining vamos fazer mais uma viagem, conhecer mais algumas cidades. Dessa vez vamos para Odessa, por alguns dias, depois Lviv por mais alguns dias, e finalmente estou indo para Kiev e então para casa.
Depois que cheguei da viagem da Crimea, dia 9, fui experimentar mais alguns queijos no mercado. No mercado aqui tem uma porção de queijos diferentes e, é claro, durante o tempo que fiquei aqui fui comprando o máximo de queijos diferentes que podia. No domingo fiz minhas melhores escolhas.
Segunda-feira, dia 10, só tive o English Club. Terça feira tive mais uma apresentação numa escola, e depois fui dar uma olhada numas jaquetas um pouco mais fortes para suportar o frio de Lviv. Quarta e quinta mais apresentações, as finais. Na quinta, fiz também uma apresentação em uma universidade aqui, para uma turma de calouros. De tarde, comprei duas jaquetas, e de noite fomos para a festa de aniversário de Masha. Sexta, não tinha mais nenhuma apresentação, só o English Club. E, de noite, fomos para uma boate. A boate foi legal, o pior foi acordar cedo no outro dia pra encontrar a Olga às 8 pra me ajudar a comprar carne que eu ia precisar pra fazer a feijoada. No sábado de tarde, eu e Gustavo demos início no preparo da feijoada. Eu trouxe 1kg de feijão preto quando vim do Brasil, o que é impossível de achar por aqui, mas carne de porco é bem popular. Começamos a cozinhar o feijão às 5 da tarde, e depois fomos para a casa da Olga para a festa. Como estou saindo de Berdyansk hoje, fizemos a festa ontem para eu poder celebrar meu aniversário com o pessoal, e também serviu como festa de despedida. Resumindo, fizemos uma festa brasileira ontem à noite, com direito a Cachaça, Guaraná e Feijoada. Muito bom para matar saudade da comida brasileira, e parabéns pro Gustavo que preparou muito bem a feijoada. Ontem também chegaram mais duas intercambistas, uma da China e outra da Nova Zelândia, que mesmo cansadas da viagem se juntaram à festa.
Hoje serviu só para arrumar as malas, e se preparar pra viagem que será daqui a pouco. E agora, simbora viajar!
Hoje à noite estou saindo de Berdyansk. Eu e Yining vamos fazer mais uma viagem, conhecer mais algumas cidades. Dessa vez vamos para Odessa, por alguns dias, depois Lviv por mais alguns dias, e finalmente estou indo para Kiev e então para casa.
Depois que cheguei da viagem da Crimea, dia 9, fui experimentar mais alguns queijos no mercado. No mercado aqui tem uma porção de queijos diferentes e, é claro, durante o tempo que fiquei aqui fui comprando o máximo de queijos diferentes que podia. No domingo fiz minhas melhores escolhas.
Segunda-feira, dia 10, só tive o English Club. Terça feira tive mais uma apresentação numa escola, e depois fui dar uma olhada numas jaquetas um pouco mais fortes para suportar o frio de Lviv. Quarta e quinta mais apresentações, as finais. Na quinta, fiz também uma apresentação em uma universidade aqui, para uma turma de calouros. De tarde, comprei duas jaquetas, e de noite fomos para a festa de aniversário de Masha. Sexta, não tinha mais nenhuma apresentação, só o English Club. E, de noite, fomos para uma boate. A boate foi legal, o pior foi acordar cedo no outro dia pra encontrar a Olga às 8 pra me ajudar a comprar carne que eu ia precisar pra fazer a feijoada. No sábado de tarde, eu e Gustavo demos início no preparo da feijoada. Eu trouxe 1kg de feijão preto quando vim do Brasil, o que é impossível de achar por aqui, mas carne de porco é bem popular. Começamos a cozinhar o feijão às 5 da tarde, e depois fomos para a casa da Olga para a festa. Como estou saindo de Berdyansk hoje, fizemos a festa ontem para eu poder celebrar meu aniversário com o pessoal, e também serviu como festa de despedida. Resumindo, fizemos uma festa brasileira ontem à noite, com direito a Cachaça, Guaraná e Feijoada. Muito bom para matar saudade da comida brasileira, e parabéns pro Gustavo que preparou muito bem a feijoada. Ontem também chegaram mais duas intercambistas, uma da China e outra da Nova Zelândia, que mesmo cansadas da viagem se juntaram à festa.
Hoje serviu só para arrumar as malas, e se preparar pra viagem que será daqui a pouco. E agora, simbora viajar!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Crimea
Semana passada fui viajar, por isso fiquei um bom tempo sem postar. Isto é, tem muita coisa pra contar agora.
Na semana retrasada, estávamos de "férias". Só tivemos o English Club na quarta feira, mesmo sem ter vindo ninguém. No dia 31, os parceiros do nosso projeto marcaram uma reunião com a gente. Achamos que seria uma reunião onde ganharíamos um presente de ano novo e depois almoçaríamos. Ledo engano. Fomos para uma casa de verão na praia, e lá eles apareceram com algumas caixas de chocolate, um vinho e 2 champagnes. Aí apareceram com uma garrafa de vodka com uma pimenta dentro. Isso sim queima a garganta, ou melhor, o esôfago todo. Depois de beber com nossos parceiros, fomos para casa nos preparar para o ano novo. Celebramos o ano novo na casa da Olga. Preparamos algumas saladas, tradicionais de ano novo, e às 23 horas estouramos o champagne, para comemorar o ano novo russo. Sim, o pessoal aqui comemora o ano novo russo (horário de Moskow) e depois o ucraniano. Estouramos o champagne à meia noite e fomos para fora para ver os fogos. Para entrar na onda da comemoração de ano novo, e aproveitando a temperatura naquela noite (-5°C) não pude deixar de tirar a camisa, mesmo que por 2 minutos antes de começar a congelar. Fomos para o centro, onde tinha festa, voltamos para casa e comemoramos o ano novo brasileiro (4 da manhã). O dia 1º serviu para descansar da festa e arrumar as malas.
Dia 2, eu e Yining pegamos um ônibus para Sevastopol, na região da Crimea. A Crimea é a região mais ao sul da Ucrânia, uma península no mar Negro. Devido à localização e proximidade com o mar, é também uma região mais quente, onde o inverno geralmente não é tão rigoroso, sendo que em algumas cidades só neva de vez em quando. Saímos 6 da manhã de Berdyansk, e chegamos na cidade quase 4 da tarde. Antes de sairmos de Berdyansk, entramos em contato com Masha, que mora em Moskow mas estava de férias com a família em Sevastopol. Ela nos buscou na estação de ônibus e depois mostrou a cidade para a gente. Como chegamos tarde (4 da tarde começa a escurecer por aqui), não pudemos ver muito da cidade. Mesmo assim, ela nos levou para mostrar algumas praças e para jantar. Comemos uma boa pizza e tomamos um bom vinho. Ela também deixou a gente ficar num flat muito bom (da família dela) de graça. No dia seguinte (dia 3), ela nos levou até as ruínas, e foi contando toda a história. Ela fez faculdade de história e também já trabalhou como guia. Simplesmente maravilhoso. Depois de ver as ruínas, fomos a uma loja de artigos esportivos, onde finalmente consegui comprar meu mochilão, e depois fui a uma loja de vinhos. A região da Crimea é uma região produtora de vinhos, e na cidade de Sevastopol são produzidos vinhos secos, meus preferidos. Andamos mais um pouco pela cidade, compramos um queijo e um champagne e fomos para a praia só para passar um tempo. Dia 4, fomos para Balaklava, uma baía na cidade de Sevastopol. O dia começou nevando, e quando chegamos lá parou de nevar, mas as montanhas estavam todas cobertas de neve. Masha guiou a gente até a região, e depois nos levou para uma caminhada pelas montanhas. Depois da caminhada, fomos visitar um museu dentro de uma das montanhas. Esse museu era uma base militar onde eram construídos submarinos durante a Guerra Fria, e é situado dentro da montanha. A montanha foi furada para abrigar a base, e toda a região tinha sido apagada do mapa. Por ser uma península, Perceber a existência da base era muito difícil. Além disso, a montanha foi devidamente escolhida, já que possui um grau de dureza 9 da escala Mohs (aquela onde o talco é 1 e o diamante é 10), se eu entendi bem.
De noite, pegamos um ônibus para Simeiz, um vilarejo perto da cidade de Yalta. Quando chegamos, Annie foi nos buscar e nos levar até o quarto onde ficaríamos. Na manhã do dia seguinte (dia 5), ela nos levou até a cidade de Yalta e nos mostrou um dos palácios. À tarde, andamos pela cidade e depois pegamos um barco para fazer um tour. Dia 6, fomos visitar outro palácio. Dessa vez, fomos por conta, sem ter mais ninguém para ajudar. É claro que não deu certo. Pegamos um ônibus que passava perto daonde queríamos ir, mas não sabíamos onde devíamos descer do ônibus. Consequência? Fizemos uma volta completa com o ônibus, descemos no lugar onde entramos. Saímos à procura de alguém que falasse um pouco de inglês e pudesse nos explicar onde era. Achamos 3 pessoas que, como não falavam muito bem inglês para explicar, nos guiaram até o local. Após visitar o palácio, fomos fazer um tour na vinícola da região. Infelizmente, a cidade de Yalta produz mais vinhos doces do que secos, mas mesmo assim o tour foi legal (principalmente a degustação). Fomos em direção ao outro palácio da cidade, mas estava fechado para visitação quando chegamos. De noite, voltamos para a casa da Annie. Fomos assistir TV, e ao mudar de canal vi que estava passando uma novela brasileira num deles, dublada em russo. A parte mais engraçada foi mudar a opção de áudio para espanhol e ouvir o som original.
Dia 7, pegamos um ônibus para Sevastopol novamente, mas só como meio para ir para Bakhchisaray. Fomos hospedados por Katya num vilarejo próximo a cidade, num albergue. Quando chegamos na estação de ônibus de Bakhchisaray, o marido de Katya veio nos buscar e nos levou até o albergue. A região era encantadora, cheia de Kenyons e cavernas. Quando chegamos no albergue, fomos recebidos com um ótimo almoço de natal (o pessoal celebra natal dia 7 de janeiro aqui), e depois fomos fazer uma caminhada até o Cave Monastery, um monastério numa "caverna" de uma montanha. Voltamos para o albergue, jantamos e depois fomos até a casa de um amigo do casal, Andrey. Foi aí que o frio bateu. Na noite, fazia -7°C, mas a sensação térmica era ainda pior. Estava vestindo 4 calças, 2 camisas, 2 casacos, 2 jaquetas e 3 meias, e parecia que não resolvia nada. Na casa do Andrey, ele nos mostrou o parapente motorizado dele. Não sei como é o nome disso, mas é um triciclo para duas pessoas, com motor e um parapente. É muito comum na região o pessoal saltar com isso, ou então fazer base jump. Fomos convidados por ele para voar, mas infelizmente o tempo não estava muito bom, havia algumas nuvens e o vento estava muito turbulento para permitir o vôo. No dia 8, tivemos a confirmação de que não poderíamos voar, e então fomos para Bakhchisaray, para visitar outro Cave Monastery, Cave Town e um palácio. Cave Town é uma montanha de pedra com um monte de cavernas, como um monte de casinhas. De noite, de volta ao albergue, preparamos a janta. Yining preparou comida chinesa e eu preparei um brigadeiro pra sobremesa. Mais tarde, fizemos uma sauna, do jeito bem popular por aqui: depois de ficar na sauna por alguns minutos, sair e mergulhar numa banheira (tanque) de água fria. Dia 9, deixamos o albergue e o vilarejo e fomos até Bakhchisaray para pegar o ônibus de volta para Berdyansk. Chegamos aqui quase 6 da tarde.
Não dá de descrever aqui como a região da Crimea é linda, e nem como foi boa essa viagem. Ver baías com água limpa, montanhas e até neve nas montanhas, e ainda poder caminhar por essas montanhas foi fantástico. Ficar procurando gente que fale inglês para nos ajudar a chegar a algum lugar também foi divertido. Se não foi a região mais bonita que já vi até hoje, pelo menos chega bem perto. Além disso, conhecer pessoas legais, acolhedoras e dispostas a mostrar a região não tem preço.
Essa semana agora é a minha última semana aqui em Berdyansk e no projeto. No final da semana, vou fazer uma festa para comemorar meu aniversário com o pessoal, e depois vou viajar para Odessa, Lviv e Kiev. Muita coisa para planejar ainda. Ahh, e a foto é de Balaklava.
Na semana retrasada, estávamos de "férias". Só tivemos o English Club na quarta feira, mesmo sem ter vindo ninguém. No dia 31, os parceiros do nosso projeto marcaram uma reunião com a gente. Achamos que seria uma reunião onde ganharíamos um presente de ano novo e depois almoçaríamos. Ledo engano. Fomos para uma casa de verão na praia, e lá eles apareceram com algumas caixas de chocolate, um vinho e 2 champagnes. Aí apareceram com uma garrafa de vodka com uma pimenta dentro. Isso sim queima a garganta, ou melhor, o esôfago todo. Depois de beber com nossos parceiros, fomos para casa nos preparar para o ano novo. Celebramos o ano novo na casa da Olga. Preparamos algumas saladas, tradicionais de ano novo, e às 23 horas estouramos o champagne, para comemorar o ano novo russo. Sim, o pessoal aqui comemora o ano novo russo (horário de Moskow) e depois o ucraniano. Estouramos o champagne à meia noite e fomos para fora para ver os fogos. Para entrar na onda da comemoração de ano novo, e aproveitando a temperatura naquela noite (-5°C) não pude deixar de tirar a camisa, mesmo que por 2 minutos antes de começar a congelar. Fomos para o centro, onde tinha festa, voltamos para casa e comemoramos o ano novo brasileiro (4 da manhã). O dia 1º serviu para descansar da festa e arrumar as malas.
Dia 2, eu e Yining pegamos um ônibus para Sevastopol, na região da Crimea. A Crimea é a região mais ao sul da Ucrânia, uma península no mar Negro. Devido à localização e proximidade com o mar, é também uma região mais quente, onde o inverno geralmente não é tão rigoroso, sendo que em algumas cidades só neva de vez em quando. Saímos 6 da manhã de Berdyansk, e chegamos na cidade quase 4 da tarde. Antes de sairmos de Berdyansk, entramos em contato com Masha, que mora em Moskow mas estava de férias com a família em Sevastopol. Ela nos buscou na estação de ônibus e depois mostrou a cidade para a gente. Como chegamos tarde (4 da tarde começa a escurecer por aqui), não pudemos ver muito da cidade. Mesmo assim, ela nos levou para mostrar algumas praças e para jantar. Comemos uma boa pizza e tomamos um bom vinho. Ela também deixou a gente ficar num flat muito bom (da família dela) de graça. No dia seguinte (dia 3), ela nos levou até as ruínas, e foi contando toda a história. Ela fez faculdade de história e também já trabalhou como guia. Simplesmente maravilhoso. Depois de ver as ruínas, fomos a uma loja de artigos esportivos, onde finalmente consegui comprar meu mochilão, e depois fui a uma loja de vinhos. A região da Crimea é uma região produtora de vinhos, e na cidade de Sevastopol são produzidos vinhos secos, meus preferidos. Andamos mais um pouco pela cidade, compramos um queijo e um champagne e fomos para a praia só para passar um tempo. Dia 4, fomos para Balaklava, uma baía na cidade de Sevastopol. O dia começou nevando, e quando chegamos lá parou de nevar, mas as montanhas estavam todas cobertas de neve. Masha guiou a gente até a região, e depois nos levou para uma caminhada pelas montanhas. Depois da caminhada, fomos visitar um museu dentro de uma das montanhas. Esse museu era uma base militar onde eram construídos submarinos durante a Guerra Fria, e é situado dentro da montanha. A montanha foi furada para abrigar a base, e toda a região tinha sido apagada do mapa. Por ser uma península, Perceber a existência da base era muito difícil. Além disso, a montanha foi devidamente escolhida, já que possui um grau de dureza 9 da escala Mohs (aquela onde o talco é 1 e o diamante é 10), se eu entendi bem.
De noite, pegamos um ônibus para Simeiz, um vilarejo perto da cidade de Yalta. Quando chegamos, Annie foi nos buscar e nos levar até o quarto onde ficaríamos. Na manhã do dia seguinte (dia 5), ela nos levou até a cidade de Yalta e nos mostrou um dos palácios. À tarde, andamos pela cidade e depois pegamos um barco para fazer um tour. Dia 6, fomos visitar outro palácio. Dessa vez, fomos por conta, sem ter mais ninguém para ajudar. É claro que não deu certo. Pegamos um ônibus que passava perto daonde queríamos ir, mas não sabíamos onde devíamos descer do ônibus. Consequência? Fizemos uma volta completa com o ônibus, descemos no lugar onde entramos. Saímos à procura de alguém que falasse um pouco de inglês e pudesse nos explicar onde era. Achamos 3 pessoas que, como não falavam muito bem inglês para explicar, nos guiaram até o local. Após visitar o palácio, fomos fazer um tour na vinícola da região. Infelizmente, a cidade de Yalta produz mais vinhos doces do que secos, mas mesmo assim o tour foi legal (principalmente a degustação). Fomos em direção ao outro palácio da cidade, mas estava fechado para visitação quando chegamos. De noite, voltamos para a casa da Annie. Fomos assistir TV, e ao mudar de canal vi que estava passando uma novela brasileira num deles, dublada em russo. A parte mais engraçada foi mudar a opção de áudio para espanhol e ouvir o som original.
Dia 7, pegamos um ônibus para Sevastopol novamente, mas só como meio para ir para Bakhchisaray. Fomos hospedados por Katya num vilarejo próximo a cidade, num albergue. Quando chegamos na estação de ônibus de Bakhchisaray, o marido de Katya veio nos buscar e nos levou até o albergue. A região era encantadora, cheia de Kenyons e cavernas. Quando chegamos no albergue, fomos recebidos com um ótimo almoço de natal (o pessoal celebra natal dia 7 de janeiro aqui), e depois fomos fazer uma caminhada até o Cave Monastery, um monastério numa "caverna" de uma montanha. Voltamos para o albergue, jantamos e depois fomos até a casa de um amigo do casal, Andrey. Foi aí que o frio bateu. Na noite, fazia -7°C, mas a sensação térmica era ainda pior. Estava vestindo 4 calças, 2 camisas, 2 casacos, 2 jaquetas e 3 meias, e parecia que não resolvia nada. Na casa do Andrey, ele nos mostrou o parapente motorizado dele. Não sei como é o nome disso, mas é um triciclo para duas pessoas, com motor e um parapente. É muito comum na região o pessoal saltar com isso, ou então fazer base jump. Fomos convidados por ele para voar, mas infelizmente o tempo não estava muito bom, havia algumas nuvens e o vento estava muito turbulento para permitir o vôo. No dia 8, tivemos a confirmação de que não poderíamos voar, e então fomos para Bakhchisaray, para visitar outro Cave Monastery, Cave Town e um palácio. Cave Town é uma montanha de pedra com um monte de cavernas, como um monte de casinhas. De noite, de volta ao albergue, preparamos a janta. Yining preparou comida chinesa e eu preparei um brigadeiro pra sobremesa. Mais tarde, fizemos uma sauna, do jeito bem popular por aqui: depois de ficar na sauna por alguns minutos, sair e mergulhar numa banheira (tanque) de água fria. Dia 9, deixamos o albergue e o vilarejo e fomos até Bakhchisaray para pegar o ônibus de volta para Berdyansk. Chegamos aqui quase 6 da tarde.
Não dá de descrever aqui como a região da Crimea é linda, e nem como foi boa essa viagem. Ver baías com água limpa, montanhas e até neve nas montanhas, e ainda poder caminhar por essas montanhas foi fantástico. Ficar procurando gente que fale inglês para nos ajudar a chegar a algum lugar também foi divertido. Se não foi a região mais bonita que já vi até hoje, pelo menos chega bem perto. Além disso, conhecer pessoas legais, acolhedoras e dispostas a mostrar a região não tem preço.
Essa semana agora é a minha última semana aqui em Berdyansk e no projeto. No final da semana, vou fazer uma festa para comemorar meu aniversário com o pessoal, e depois vou viajar para Odessa, Lviv e Kiev. Muita coisa para planejar ainda. Ahh, e a foto é de Balaklava.
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