segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Crimea

Semana passada fui viajar, por isso fiquei um bom tempo sem postar. Isto é, tem muita coisa pra contar agora.
Na semana retrasada, estávamos de "férias". Só tivemos o English Club na quarta feira, mesmo sem ter vindo ninguém. No dia 31, os parceiros do nosso projeto marcaram uma reunião com a gente. Achamos que seria uma reunião onde ganharíamos um presente de ano novo e depois almoçaríamos. Ledo engano. Fomos para uma casa de verão na praia, e lá eles apareceram com algumas caixas de chocolate, um vinho e 2 champagnes. Aí apareceram com uma garrafa de vodka com uma pimenta dentro. Isso sim queima a garganta, ou melhor, o esôfago todo. Depois de beber com nossos parceiros, fomos para casa nos preparar para o ano novo. Celebramos o ano novo na casa da Olga. Preparamos algumas saladas, tradicionais de ano novo, e às 23 horas estouramos o champagne, para comemorar o ano novo russo. Sim, o pessoal aqui comemora o ano novo russo (horário de Moskow) e depois o ucraniano. Estouramos o champagne à meia noite e fomos para fora para ver os fogos. Para entrar na onda da comemoração de ano novo, e aproveitando a temperatura naquela noite (-5°C) não pude deixar de tirar a camisa, mesmo que por 2 minutos antes de começar a congelar. Fomos para o centro, onde tinha festa, voltamos para casa e comemoramos o ano novo brasileiro (4 da manhã). O dia 1º serviu para descansar da festa e arrumar as malas.
Dia 2, eu e Yining pegamos um ônibus para Sevastopol, na região da Crimea. A Crimea é a região mais ao sul da Ucrânia, uma península no mar Negro. Devido à localização e proximidade com o mar, é também uma região mais quente, onde o inverno geralmente não é tão rigoroso, sendo que em algumas cidades só neva de vez em quando.  Saímos 6 da manhã de Berdyansk, e chegamos na cidade quase 4 da tarde. Antes de sairmos de Berdyansk, entramos em contato com Masha, que mora em Moskow mas estava de férias com a família em Sevastopol. Ela nos buscou na estação de ônibus e depois mostrou a cidade para a gente. Como chegamos tarde (4 da tarde começa a escurecer por aqui), não pudemos ver muito da cidade. Mesmo assim, ela nos levou para mostrar algumas praças e para jantar. Comemos uma boa pizza e tomamos um bom vinho. Ela também deixou a gente ficar num flat muito bom (da família dela) de graça. No dia seguinte (dia 3), ela nos levou até as ruínas, e foi contando toda a história. Ela fez faculdade de história e também já trabalhou como guia. Simplesmente maravilhoso. Depois de ver as ruínas, fomos a uma loja de artigos esportivos, onde finalmente consegui comprar meu mochilão, e depois fui a uma loja de vinhos. A região da Crimea é uma região produtora de vinhos, e na cidade de Sevastopol são produzidos vinhos secos, meus preferidos. Andamos mais um pouco pela cidade, compramos um queijo e um champagne e fomos para a praia só para passar um tempo. Dia 4, fomos para Balaklava, uma baía na cidade de Sevastopol. O dia começou nevando, e quando chegamos lá parou de nevar, mas as montanhas estavam todas cobertas de neve. Masha guiou a gente até a região, e depois nos levou para uma caminhada pelas montanhas. Depois da caminhada, fomos visitar um museu dentro de uma das montanhas. Esse museu era uma base militar onde eram construídos submarinos durante a Guerra Fria, e é situado dentro da montanha. A montanha foi furada para abrigar a base, e toda a região tinha sido apagada do mapa. Por ser uma península, Perceber a existência da base era muito difícil. Além disso, a montanha foi devidamente escolhida, já que possui um grau de dureza 9 da escala Mohs (aquela onde o talco é 1 e o diamante é 10), se eu entendi bem.
De noite, pegamos um ônibus para Simeiz, um vilarejo perto da cidade de Yalta. Quando chegamos, Annie foi nos buscar e nos levar até o quarto onde ficaríamos. Na manhã do dia seguinte (dia 5), ela nos levou até a cidade de Yalta e nos mostrou um dos palácios. À tarde, andamos pela cidade e depois pegamos um barco para fazer um tour. Dia 6, fomos visitar outro palácio. Dessa vez, fomos por conta, sem ter mais ninguém para ajudar. É claro que não deu certo. Pegamos um ônibus que passava perto daonde queríamos ir, mas não sabíamos onde devíamos descer do ônibus. Consequência? Fizemos uma volta completa com o ônibus, descemos no lugar onde entramos. Saímos à procura de alguém que falasse um pouco de inglês e pudesse nos explicar onde era. Achamos 3 pessoas que, como não falavam muito bem inglês para explicar, nos guiaram até o local. Após visitar o palácio, fomos fazer um tour na vinícola da região. Infelizmente, a cidade de Yalta produz mais vinhos doces do que secos, mas mesmo assim o tour foi legal (principalmente a degustação). Fomos em direção ao outro palácio da cidade, mas estava fechado para visitação quando chegamos. De noite, voltamos para a casa da Annie. Fomos assistir TV, e ao mudar de canal vi que estava passando uma novela brasileira num deles, dublada em russo. A parte mais engraçada foi mudar a opção de áudio para espanhol e ouvir o som original.
Dia 7, pegamos um ônibus para Sevastopol novamente, mas só como meio para ir para Bakhchisaray. Fomos hospedados por Katya num vilarejo próximo a cidade, num albergue. Quando chegamos na estação de ônibus de Bakhchisaray, o marido de Katya veio nos buscar e nos levou até o albergue. A região era encantadora, cheia de Kenyons e cavernas. Quando chegamos no albergue, fomos recebidos com um ótimo almoço de natal (o pessoal celebra natal dia 7 de janeiro aqui), e depois fomos fazer uma caminhada até o Cave Monastery, um monastério numa "caverna" de uma montanha. Voltamos para o albergue, jantamos e depois fomos até a casa de um amigo do casal, Andrey. Foi aí que o frio bateu. Na noite, fazia -7°C, mas a sensação térmica era ainda pior. Estava vestindo 4 calças, 2 camisas, 2 casacos, 2 jaquetas e 3 meias, e parecia que não resolvia nada. Na casa do Andrey, ele nos mostrou o parapente motorizado dele. Não sei como é o nome disso, mas é um triciclo para duas pessoas, com motor e um parapente. É muito comum na região o pessoal saltar com isso, ou então fazer base jump. Fomos convidados por ele para voar, mas infelizmente o tempo não estava muito bom, havia algumas nuvens e o vento estava muito turbulento para permitir o vôo. No dia 8, tivemos a confirmação de que não poderíamos voar, e então fomos para Bakhchisaray, para visitar outro Cave Monastery, Cave Town e um palácio. Cave Town é uma montanha de pedra com um monte de cavernas, como um monte de casinhas. De noite, de volta ao albergue, preparamos a janta. Yining preparou comida chinesa e eu preparei um brigadeiro pra sobremesa. Mais tarde, fizemos uma sauna, do jeito bem popular por aqui: depois de ficar na sauna por alguns minutos, sair e mergulhar numa banheira (tanque) de água fria. Dia 9, deixamos o albergue e o vilarejo e fomos até Bakhchisaray para pegar o ônibus de volta para Berdyansk. Chegamos aqui quase 6 da tarde.
Não dá de descrever aqui como a região da Crimea é linda, e nem como foi boa essa viagem. Ver baías com água limpa, montanhas e até neve nas montanhas, e ainda poder caminhar por essas montanhas foi fantástico. Ficar procurando gente que fale inglês para nos ajudar a chegar a algum lugar também foi divertido. Se não foi a região mais bonita que já vi até hoje, pelo menos chega bem perto. Além disso, conhecer pessoas legais, acolhedoras e dispostas a mostrar a região não tem preço.
Essa semana agora é a minha última semana aqui em Berdyansk e no projeto. No final da semana, vou fazer uma festa para comemorar meu aniversário com o pessoal, e depois vou viajar para Odessa, Lviv e Kiev. Muita coisa para planejar ainda. Ahh, e a foto é de Balaklava.

2 comentários:

  1. tipo, vc achou o fim do mundo :D mas é lindo! uahua

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  2. bahhh que massa essa trip cara!
    pela tua descrição o lugar é incrível, só faltou colocar mais fotinhos :D
    vai ficar mais quanto tempo viajando? ja ta no fim do teu X?
    abraços

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